• Senegal •
Todo Caminho Leva a Teranga
Foram 11 dias fotografando ininterruptamente em três regiões bem diferentes. Extremo norte (cidade de Saint Louis), capital (Dakar) e extremo sul (região de Casamance). Para alcançar o feito, muitos modais foram utilizados: barco noturno, van coletiva, carro e um pequeno avião. Em todos esses locais encontrei diferenças significativas, desde o clima, a arquitetura, história, religiões, culinária, até a economia. Porém, algumas características permeiam todas as regiões: o constante bom humor, a profusão de cores intensas, as ruas densamente ocupadas, o futebol e a luta senegalesa sendo praticadas a qualquer hora do dia e o mais importante e marcante, o "teranga".
Teranga é uma palavra Wolof (que é a língua mais falada no país) e significa dentre outras coisas hospitalidade, generosidade e acolhimento. Não é apenas uma expressão, mas uma verdadeira filosofia de vida que orienta a comunidade senegalesa de uma maneira muito profunda. Pude observar isso de diversas formas, desde as primeiras interações após a chegada. É um comportamento tão valoroso para a população que eles próprios têm muito orgulho dessa conduta e falam sobre o assunto com muita satisfação. Dito isso, a imersão fotográfica no Senegal foi ainda mais rica e interessante pois a atmosfera dos caminhos percorridos era sempre muito amistosa e instigante.
Tive a estupenda oportunidade de fotografar assuntos completamente distintos e símbolos nacionais como a principal atividade econômica do país (pesca), diferentes rituais de passagem de grupos étnicos do sul (povos Diola), os dois principais esportes nacionais (futebol e luta senegalesa), mercados públicos, arquitetura e muitos rostos memoráveis. Isso tudo não seria possível sem a receptividade do povo senegalês assim como a ajuda de grandes guias que me orientaram e contribuíram muito para esse trabalho.
A ida para o Senegal é a minha primeira experiência fotográfica documental internacional. A viagem à África era uma intenção antiga, pois a cada nova pesquisa e a cada novo trabalho, fica cada vez mais nítida a enorme influência que esse formidável continente tem em nosso país em diversas áreas: música, cultura, religião, culinária, hábitos e até modo de vida.
Foi uma primeira jornada, uma primeira pesquisa de muitas que virão pois o objetivo é contar a história da relação Brasil-África de uma jeito jamais visto, mas sempre observando e estudando o passado para interpretar e absorver o presente conscientemente.
Bruno Jungmann